30 anos do Cavaleiro das Trevas 30 anos do Cavaleiro das Trevas
11shares 11Facebook 0Twitter 0Google+ Bem pessoal resolvi me arriscar pela segunda vez escrevendo sobre quadrinhos. Essa semana comemoramos 30 anos de Cavaleiro das Trevas... 30 anos do Cavaleiro das Trevas

Bem pessoal resolvi me arriscar pela segunda vez escrevendo sobre quadrinhos. Essa semana comemoramos 30 anos de Cavaleiro das Trevas umas das mais famosas sagas do Batman escrita por Frank Miller.

Mas não vou falar sobre o traço de Klaus Janson, as cores de Lynn Varley, o grande embate entre Batman e Superman ou sua relevância para o cânone dos personagens, preferi falar sobre a importância para sua época, lançado em 1986 logo após o sucesso de Watchman, Cavaleiro das Trevas mostra a relevância para a realidade daquela época.

Estávamos no auge da Guerra Fria, a ameaça de uma guerra nuclear era eminente o presidente dos Estados Unidos (Ronald Reagan) era considerado uma piada por muitos, havia conflitos por todo mundo o mais grave naquele ano era o Afeganistão.

Então surgiu um conceito:

O que aconteceria se o conflito fosse num mundo com Super Heróis?

Eis que vem Frank Miller com sua visão desse mundo, o texto como é fortemente focado em Bruce Wayne deixa pontos subentendidos tais como, em um mundo com Super Heróis onde praticamente todos vivem nos Estados Unidos, representaria uma forte ameaça a União Soviética, fazendo os comunistas se armarem muito mais rapidamente que os americanos, o governo americano numa tentativa de apaziguar a situação resolve “banir” os Super Heróis, algo que nem todos aceitam bem como mostra uma fala de Oliver Queen/Arqueiro Verde, o Superman em nome de um bem maior resolve se aliar ao governo na tentativa de retirar os vigilantes de circulação e o Batman que era um dos mais influentes resolve abandonar o capuz e se aposentar.

A História começa teoricamente na virada do milênio o conflito com a União Soviética continua, não houve a lei Perestróica ou Glasnost nem mesmo a derrubada do Muro de Berlim com o governo investindo quase todos os seus recursos em programas armamentistas e espaciais. A sociedade americana vive uma forte crise econômica e a desigualdade social chega a patamares nunca vistos, gangues que eram muito temidas nos anos 80 dominam quase todas as cidades.

Bruce Wayne é um homem amargurado quase sem amigos e que se leva ao limite seus poucos momentos de paz estão na companhia das únicas pessoas em quem confia, Comissário James Gordon e seu mordomo Alfred, como Batman não existira mais, Bruce passou por ele mesmo a agir em algumas causas como a tentativa de recuperação de Harvey Dent, quando ele percebe sua falha resolve voltar como Batman em sua versão mais sombria e cruel.

O momento histórico mostrado na trama nos mostra o pior cenário num mundo em guerra e suas consequências, um mundo caótico, falido e sem esperança. Ironicamente nessa história há uma inversão de papeis onde o Cavaleiro das Trevas troca de lugar com o Ultimo filho de Kripton, como símbolo de esperança.

Portanto acreditamos que essa inversão de valores possa ser uma metáfora de quão desesperador é um mundo em guerra e a saga Cavaleiro das Trevas, que lançará sua terceira edição nos próximos dias não venha apenas ser uma fonte de entretenimento e sim uma reflexão de nossos erros passados e as consequências que tais erros podem trazer as futuras gerações.

A HQ está disponível no mercano americano desde 16/02.

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Charlie Borba

Nerd, cinefilo e amante de quadrinhos há mais de 20 anos.

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