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RESENHA – AQUAMAN (COM SPOILERS)

“Aquaman” carregava o peso de ser o único filme do Universo da DC nos cinemas este ano, e cumpriu o seu papel com maestria.  Desgarrando-se da influência de Zack Snyder (mas ainda mantendo algumas cenas em câmera lenta), o filme traz uma abordagem colorida, brega e cartunesca do herói que fala com os peixes. E ele fala com os peixes mesmo. E usa o traje verde e laranja. E monta num cavalo-marinho. E, pasmem, tudo isso funciona.

Esse é um filme de origem clássico, mas não é linear: passado e presente são contados intercaladamente, mas de uma forma bastante orgânica. Desde o início, ficamos conhecendo a história de Arthur Curry, filho da Rainha Atlanna e de um faroleiro. Depois de ver a sua família terrena por soldados do reino de Atlântida, Atlanna resolve deixar a superfície e voltar aos mares. Após a partida dela, Arthur foi treinado por Vulko, uma espécie de sidekicker, para enfrentar as dificuldades da vida e dos mares, seja lutando, seja mergulhando nas profundezas.

A trama tem dois vilões: Arraia-Negra, que vê seu pai morrer porque Arthur lhe negou ajuda, e o Príncipe Orm, meio-irmão mais novo de Arthur que quer ser o rei dos Sete Reinos a qualquer custo. Orm é noivo de Mera, que, ao ver que o príncipe quer começar uma guerra com o povo da superfície, procura Arthur para evitar esse conflito. E esse é o único momento em que vemos uma ligação com os demais filmes do Universo DC: Mera menciona que Arthur salvou o seu povo ao ajudar a derrotar o Lobo da Estepe.

Tecnicamente, o filme é muito bom: o colorido lembra “Valerian”, e algumas cenas lembram o universo Star Wars. Apesar do excesso de CGI, ele funciona (exceto nas cenas no deserto). Quanto ao andamento, a história dá uma caída no segundo ato, quando a intenção da trama é construir laços entre Mera e Arthur. Porém, o terceiro ato é impecável e apoteótico. O trabalho de James Wan é primoroso  e até surpreendente, já que estamos acostumados a vê-lo dirigir filmes de terror e suspense, enquanto em Aquaman ele abraça a comédia sem medo de ser feliz. Quanto às atuações, destaques para Nicole Kidman, que vive a Rainha Atlanna e protagoniza cenas de ação inimagináveis para uma lady como ela, e Patrick Wilson como o vilão Orm, bastante convincente. Mera é vivida por Amber Heard, que é uma atriz com pouco carisma mas que não compromete. Já Jason Momoa parece interpretar ele mesmo: aquele ogro de estilo praiano, sarcástico e ágil. Ele vai muito bem nas cenas de ação e tem timing de humor, e é bom ver essa nova leitura de Aquaman nas telonas.

Não considero Aquaman o melhor filme da nova fase da DC, ainda acho Mulher Maravilha melhor, mas com certeza supera Batman vs Superman e Liga da Justiça. É uma obra irreverente, engraçada, colorida, cafona, e ao mesmo tempo épica e grandiosa. A história é bem contada, não deixa furos, e os pequenos problemas não deixam a desejar. Vi o filme duas vezes e veria novamente. Espero que Aquaman seja um marco para o Universo Cinematográfico da DC, que deve ter continuidade com o filme do Shazam, que igualmente parece ter o mesmo tom divertido, mas respeitando as origens das HQ’s.

Nota: 9,5

Roberta Rodrigues AutorParticipant
Cabine de Imprensa , Nerd Fusão
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One comment

  1. É engraçado pensar que uma abordagem colorida, brega e carnutesca (como tu mesma disse) possa funcionar, mas eu acho que é justamente por isso que funciona: porque o filme não tem medo da cafonice e assume as cores, assume que ele fala com peixes, assume o surf no cavalo marinho.
    Concordo que WW continua sendo o melhor filme da DC, mas Aquaman é bom, MUITO BOM e dá esperança pro restante do universo da DC no cinema!
    Aquaman doesn’t suck

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