RESENHA – BASEADO EM FATOS REAIS RESENHA – BASEADO EM FATOS REAIS
0shares 0Facebook 0Twitter 0Google+ “Baseado em fatos reais” é uma adaptação para o cinema da obra homônima de Delphine de Vigan, feita pelo renomado... RESENHA – BASEADO EM FATOS REAIS

“Baseado em fatos reais” é uma adaptação para o cinema da obra homônima de Delphine de Vigan, feita pelo renomado diretor Roman Polanski. Ele conta a história de Delphine Dayrieux, vivida por Emmanuelle Seigner, uma escritora de sucesso que em sua mais recente obra falou do seu drama familiar e da morte trágica de sua mãe. Delphine é aquela pessoa esgotada, cansada, nada parece lhe agradar. Tem dois filhos, mas não mantém muito contato com eles. Ela cumpre seus compromissos profissionais com dificuldade, e está tentando escrever, sem muito sucesso, um novo livro.

Na sessão de autógrafos, Delphine conhece Elle, que também é escritora (uma ghost writter, na verdade), interpretada brilhantemente por Eva Green, atriz de “300 – a Ascensão do Império”, “O lar das crianças peculiares” e da franquia 007. Na festa de comemoração de lançamento do livro, Elle se aproxima de Delphine novamente, e as duas acabam se tornando muito próximas, muito em razão da manipulação de Elle, mas também por interesse de Delphine. E essa relação de amizade e dependência das duas é a base dessa história. Não se trata de um romance, mas uma relação vampiresca, na qual vemos Elle assumir a vida de Delphine: ela toma a senha de Delphine e passa a responder seus e-mails, vai morar com ela, copia seu cabelo e passa a usar as roupas desleixadas de Delphine, abandonando o seu estilo impecável.

Quanto aos aspectos técnicos, não há nenhuma ressalva. A fotografia é impecável, tanto nas cenas mais leves, quanto nas cenas mais tensas, quando as luzes e cores utilizadas servem para dar uma aura ainda mais assustadora. Gosto de filmes em francês, acho charmoso e sempre é bom revisitar a língua (eu estudei francês por dois anos e meio tempos atrás). As protagonistas têm atuações excelentes, pois esse é um filme cujo principal fundamento é a forma que os papéis são interpretados. Quanto à direção, é mais um filme com assinatura de Polanski, que dispensa apresentações.

A obra é muito instigante e envolvente, impossível não sofrer com Delphine, e torcemos para ela se livrar de Elle, pois aos nossos olhos parece que Elle está, de fato, sugando toda a energia dela. Ao mesmo tempo, podemos nos identificar com Delphine, pois todo mundo já deve ter conhecido uma pessoa “espaçosa”, que chega na nossa vida e toma conta, manipulando-nos até que a gente perceba e dê um basta. O final deixa uma ponta solta no ar, tem uma vibe meio “Clube da Luta”, o que torna a história ainda mais intrigante.

Nota : 9,0

 

Roberta Rodrigues

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