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RESENHA – DOR E GLÓRIA

Inicio esta resenha deixando claro que normalmente eu não gosto dos filmes do Almodóvar: acho todos eles meio parecidos, com os mesmos atores, uma narrativa lenta, previsíveis, uma fotografia cafona e aquela gritaria básica do cinema espanhol, que como bem conceituou Maurílio dos Anjos do Choque de Cultura, é “tipo o teatro espanhol, mas filmado”. Porém, de “Dor e Glória” eu gostei. Acontece.

O filme conta a história de Salvador Mallo, vivido por Antonio Banderas, um escritor/roteirista/diretor que fez muitas obras de sucesso no passado, mas hoje em dia mal consegue viver por conta das dores físicas que acometem o seu corpo. A principal película de Salvador, “Sabor”, que já tem mais de trinta anos, é escolhida para um desses eventos que debatem filmes antigos e ele é convidado para um colóquio, juntamente com Alberto Crespo, o protagonista da obra, e com quem Salvador não fala desde então, por não ter gostado da sua interpretação na trama.

Ao longo da história, vamos percebendo que a obra de Salvador é toda biográfica: desde a sua infância com sua mãe Jacinta (vivida por Penélope Cruz), a mudança para uma caverna no vilarejo, o despertar da sua homossexualidade, os desejos, as lembranças, as dores e as delícias. Ao se reconciliar com Alberto Crespo, ele começa a fazer uso de heroína (chamada de dragão) para aliviar as dores, do corpo e da alma. Crespo descobre textos guardados de Salvador e se propõe a fazer um monólogo de um deles. Esse momento proporciona a Salvador um reencontro com seu passado, e por que não dizer, o fechamento de uma história mal resolvida.

A trama é toda recheada de alegorias e metáforas sobre a vida de Salvador, como se fizesse um passeio pela sua existência. Há momentos de tristeza, de alegria, de ansiedade e de alívio, sempre com algumas camadas a mais do que a literalidade da cena está mostrando. Considero este um dos melhores trabalhos de Almodóvar, e talvez o mais intimista. A interpretação de Banderas está impecável e o final é muito bonito. Para quem se permite abrir os horizontes e assistir algo que fuja da ação e da velocidade dos blockbusters, “Dor e Glória” é uma boa pedida.

Nota: 9,0

Roberta Rodrigues AutorParticipant
Cabine de Imprensa , Nerd Fusão
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