RESENHA – MEU EX É UM ESPIÃO RESENHA – MEU EX É UM ESPIÃO
0shares 0Facebook 0Twitter 0Google+ Cada vez mais vemos mulheres invadindo filmes de gêneros antes dominados por homens. Em filmes de ação, podemos citar recentemente... RESENHA – MEU EX É UM ESPIÃO

Cada vez mais vemos mulheres invadindo filmes de gêneros antes dominados por homens. Em filmes de ação, podemos citar recentemente Atômica, Operação Red Sparrow e Tomb Raider. Já no gênero comédia, atrizes como Melissa McCarthy, Mila Kunis e Kate McKinnon têm nos feito dar boas risadas no cinema. As duas últimas protagonizam “Meu Ex é um Espião”, uma história recheada de cenas de ação e momentos divertidos, mas que, em uma segunda camada, traz um tema muito discutido ultimamente: a cumplicidade entre mulheres. Aquilo que entre homens é chamado normalmente de “bromance”, em relação às mulheres, é denominado sororidade. Sororidade vem de “soror”, que em latim significa irmã. Essa expressão tem sido utilizada para conceituar o sentimento de empatia e proteção entre as mulheres, em um mundo no qual cada vez mais se busca o respeito e a igualdade. Fechados esses parênteses, voltemos à trama.

Audrey é uma moça de 30 anos (sim, aos 30 ainda podemos chamar de moça) com uma vidinha medíocre e sem emoções. Tem um emprego como caixa em uma espécie de supermercado e poucas expectativas de mudanças. Sua melhor amiga é Morgan, aquela pessoa ansiosa, acelerada, expansiva, em contraste com a personalidade tranquila e serena de Audrey. Ela tinha um namorado, que terminou com ela por mensagem, e é por causa dele que ela vai ser colocada no meio de uma trama de ação e espionagem, envolvendo a CIA e uma organização criminosa. As duas, que nunca tinham ido para muito longe, vão parar na Europa, e participam de vários tiroteios, perseguições de carro e operações. Elas não sabem em quem podem confiar, mas tem uma a outra. E isso basta.

Tecnicamente, é um filme bem honesto. São muitas as cenas de ação, e essas são bem convincentes. Mas o que impressiona mesmo é a  química entre Mila Kunis e Kate McKinnon. A empatia surge automaticamente, a gente torce por elas desde o início, e é impossível não se identificar com essa relação delas. E esse é um dos grandes méritos do filme: ele tem um quê feminista, defende a sororidade, mas não cai no discurso panfletário, ativista, exagerado. A trama constrói a amizade e confiança entre as protagonistas de uma forma muito natural. Mérito de Susanna Fogel, roteirista e diretora da obra.

“Meu ex é um espião”, no geral, é uma comédia bem eficiente. Não tem um texto vazio, o humor não é refinado e traz alguns clichês, mas nada que incomode. É leve, divertida e envolvente, não se arrasta, não é cansativa, tampouco fica trazendo grandes problemas do cotidiano para a telona. Afinal de contas, frequentamos o cinema não só para ver grandes discussões existenciais e filosóficas, às vezes queremos apenas nos divertir. E essa diversão “Meu ex é um espião” nos entrega com louvor.

Nota: 8,5

Roberta Rodrigues

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