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RESENHA – MIDSOMMAR: O MAL NÃO ESPERA A NOITE

Poucas vezes saí do cinema tão desgraçada da cabeça como saí da cabine de imprensa de “Midsommar”. Talvez apenas “Mãe” tenha me causado tamanho desconforto, e em menor escala, “Corra!” e “Nós”. São tantas alegorias e simbolismos para serem explorados que fica difícil de saber por onde começar Mas tentarei falar um pouco sobre essa nova obra do Diretor Ari Aster, que em 2018 tomou os cinéfilos de assalto com o excelente filme de terror “Hereditário”.

O filme inicia nos apresentando a história de Dani, uma moça de seus vinte e poucos anos que perde os pais e a irmã de forma trágica, o que acaba agravando um quadro de depressão que é bastante evidente. Ela tem um relacionamento medíocre com Christian, um sujeito babaca que tem amigos igualmente babacas, e parece não se importar muito com ela. Um desses amigos é oriundo de uma comunidade na Suécia e convida o grupo para um festival que ocorrerá na localidade para comemorar o solstício. Em razão da situação de Dani, Chris acaba convidando-a para ir junto na viagem, e ela aceita. E a partir da chegada do grupo na comunidade, começa a acontecer todo o tipo de bizarrice, situações inimagináveis e muito, mas muito intrigantes.

De cara, uma das coisas que mais me chocou em “Midsommar” foi o fato de ser um filme de terror onde não há cenas escuras. Como ocorre na época de solstício na Suécia, não anoitece, e as pessoas, as roupas, os cenários são todos muito brancos, alvos, claros. Há cenas muito agressivas que chegam a flertar com o gore, com a câmera chapada por alguns segundos em imagens bem impactantes. Ari Aster repete os bons takes de “Hereditário”, como fazer tomadas de cima para mostrar ou todo, ou de cabeça para baixo, imagens refletidas no espelho e câmera na cara do personagem com o fundo blur. Também lança mão de outros recursos, como flores que se mexem, pessoas e coisas que se distorcem e por aí vai. É um diretor bastante criativo, que já traz a sua assinatura própria.

Quanto às atuações, nada a reparar. Eu não conhecia a Florence Pugh, que interpreta a protagonista, mas sabia que ela havia sido escalada para o filme da Viúva Negra, e a sua atuação foi uma grata surpresa. Outro destaque do casting é Will Poulter, mesmo reprisando o papel de jovem rabugento que ele fez em “Maze Runner” e no episódio “Bandersnatch” de Black Mirror, ele traz um alívio cômico completamente esquisito para a trama. Outro nome interessante é William Jackson Harper, que interpreta Josh, um doutorando em Antropologia que objetiva fazer uma pesquisa na comunidade, e que, ao ser copiado por Chris, profere uma das minhas frases favoritas do filme: “isso é antiético, aproveitador e preguiçoso. O que acaba se tornando triste”. Pois é.

Recentemente assisti “It – Capítulo Dois” e escrevi que Stephen King não é para todo mundo. Então, “Midsommar” é para poucos. Particularmente, eu gostei bastante da originalidade da trama, da sensação de incômodo que ele me causou, e pretendo assistir mais vezes e ler a respeito para entender todas as referências trazidas pelo Diretor. Mais ainda: achei genial um filme de terror que se passa completamente em plena luz do dia. Porém, reconheço que grande parte do público não irá gostar da obra, nem entenderá o seu significado. E tudo bem. Para algo ser considerado bom, inovador ou interessante, não precisa agradar a todo mundo. E nem sempre aquilo que agrada a todo mundo, deve ser considerado algo bom, pois uma das grandes lições do filme é justamente que aquilo que é considerado plenamente normal por alguns, pode ser entendido como inaceitável para outros.

Nota: 9,5

Roberta Rodrigues AutorParticipant
Cabine de Imprensa , Nerd Fusão
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