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RESENHA – NÓS

“Nós” é o novo filme de Jordan Peele, que recentemente pegou todos de surpresa com “Corra!”. Ainda que “Nós” não tenha o fator surpresa, pois já temos conhecimento do estilo do diretor, mesmo assim ele é muito original. Aliás, essa obra é tão rica que nem sei por onde começar!

A história começa nos apresentando Addy, uma menininha de uns 6 anos que em 1985 está em um parque de diversões na praia com os pais, acaba se perdendo deles (porque o pai devia estar cuidando dela enquanto a mãe vai ao banheiro, mas ele estava distraído), e vai parar em um quarto de espelhos. Lá, ela encontra não somente o seu reflexo, mas uma menina igual a ela, uma espécie de versão alternativa. Isso traumatiza Addy, que carrega esse segredo por muitos anos.

O tempo passa, Addy segue a vida, casa, tem dois filhos, até que o seu marido, Gabe, quer retornar à praia onde o fato aconteceu. Ele não sabe pelo que Addy passou. Então, quando estão na casa da praia, as versões alternativas dos quatro aparece na entrada, vestidos de vermelho e portando tesouras, com a intenção de matar a família original e, acredito eu, tomar os seus lugares.

Uma frase que me chamou a atenção foi dita pela versão alternativa de Gabe quando a família alternativa entrou na casa: Gabe pergunta quem eles são, e eles respondem: “nós somos americanos”. Ainda que não se trate exatamente de um filme de crítica social, isso me soou como se ele quisesse dizer que, apesar de serem excluídos, eles são tão cidadãos americanos quanto a família original.

Existem versões alternativas não só da família de Addy e Gabe, mas de todos naquela região, usando vermelho, portando tesouras e fazendo cordões humanos para evitar a fuga dos originais. E não vou falar mais nada sobre a trama para não estragar a experiência!

Tecnicamente, o filme é impecável: Jordan Peele sabe trabalhar muito bem a fotografia, o “miss en scene’, a movimentação das câmeras, o jogo de luz e sombra, o zoom. Como disse o Raphael PH Santos, ele bebe nas fontes de Hitchcock e M. Night Shyamalan: é um terror elegante, com um humor ácido e sarcástico, mas na medida certa. Em “Nós”, o terror é mais físico e explícito do que em “Corra!”, mas o diretor demonstra bastante habilidade também neste gênero.

Quanto às atuações, nenhum defeito: Lupita N’yongo, que dispensa apresentações está perfeita tanto quando interpreta Addy quanto quando está dando vida à sua versão alternativa. Winston Duke, que vive Gabe (e roubou a cena em “Pantera Negra”como o Príncipe M’Baku), é um alívio cômico adequado, e seu personagem faz até uma certa crítica à postura dos homens frente aos problemas, dada a sua falta de objetividade e até mesmo falta de noção da realidade. Quem também brilha é Elisabeth Moss, que mesmo com pouco tempo de cena, mostra seu talento já conhecido e consagrado em “The Handmaid’s Tale”.

“Nós” é um excelente filme de terror que certamente agradará inclusive pessoas que não são necessariamente fãs do gênero (como eu). Apesar de sua trama complexa, e algumas cenas e diálogos beirarem ao bizarro, ele é uma construção bastante interessante e com uma trilha sonora diversa, mas que encaixa perfeitamente aos momentos em que são colocadas, indo do rap à música clássica. Ainda que eu tenha previsto a virada, isso não tirou o brilho e qualidade do filme pra mim. Estou ansiosa para ver mais obras de Jordan Peele nas telonas.

Nota: 10,0

Roberta Rodrigues AutorParticipant
Cabine de Imprensa , Nerd Fusão
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