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RESENHA – RAINHAS DO CRIME

Nem terminamos o ano de 2019 e já temos o segundo filme de esposas de criminosos que resolvem assumir os “negócios” depois que eles são presos ou mortos. Recentemente, vimos “As Viúvas”, que se passava em Chicago nos dias de hoje, e agora temos “Rainhas do Crime”, que ocorre na Nova York dos anos 70 o que, convenhamos, é muito mais charmoso.

Kevin, Rob e Jimmy, os maridos das protagonistas Claire, Ruby e Kathy são gângsters que comandam Hell’s Kitchen, bairro onde se concentram os irlandeses em Nova York, até que são presos pelo FBI. O grupo de mafiosos que eles comandam fica responsável por sustentar suas esposas até que eles cumpram os dois anos de prisão, afinal de contas, eles são como uma família, conceito que “O Poderoso Chefão” bem nos ensinou e está presente até em “Velozes & Furiosos”. Só que Little Jack, irmão de Jimmy, começa a passar a perna nas mulheres, não dando dinheiro suficiente, nem oferecendo a “proteção” aos comerciantes de Hell’s Kitchen, então as três esposas resolvem assumir as tarefas que antes eram desempenhadas por seus maridos, e passam a “comandar” a região. Isso, é claro, vai dar muito problema com os antigos “funcionários” de seus esposos, pois se hoje em dia há muitos homens que não aceitam ser liderados por mulheres, imaginem isso há quarenta anos em um cenário extremamente belicoso como era a cidade de Nova York? Pois é, isso vai causar muitas mortes, guerras e alianças com grupos que comandam outros bairros da cidade (judeus em Williamsburg, italianos no Brooklyn e por aí vai). E sinceramente, as mulheres se mostram muito mais perversas que os seus maridos, o que é um tanto intrigante.

Eu gosto do filme, gosto bastante das três protagonistas: Melissa McCarthy mais uma vez fora da zona de conforto da comédia entrega uma excelente interpretação, assim como Tiffany Haddish no papel de Ruby, a negra casada com um irlandês que tem que aturar todo o tipo de preconceito. Mas a melhor delas para mim é Claire, vivida pela ótima Elisabeth Moss: Claire apanhava do marido e durante a trama podemos acompanhar todo o seu crescimento, é a personagem melhor construída e a que mais evolui. Destaco também a atuação de Domhall Gleeson como Gabriel, que normalmente faz papeis fofinhos como em “Pedro Coelho”, “Adeus, Christopher Robin” e “Questão de Tempo”, e aqui faz um assassino psicopata badass de encher os olhos.

O que me incomodou no filme: a glamurização dos criminosos. Essas máfias, comandos, milícias ou algo que o valha normalmente tira dinheiro da população em troca de proteção e de serviços que deveriam ser oferecidos pelo Estado. Mas eles não fazem esse “trabalho” porque são bonzinhos, eles se aproveitam da vulnerabilidade e do medo das pessoas para enriquecer. E não gosto quando esse tipo de gente é retratado como mocinho, porque não são. Ainda que alguns personagens conquistem a gente pelo carisma, ou pela empatia em razão do que já sofreram, eu sempre torço para que o final deles não seja exatamente feliz. O que não necessariamente ocorre em “Rainhas do Crime”. De qualquer forma, é um filme interessante e que merece atenção.

Nota: 8,5

Roberta Rodrigues AutorParticipant
Cabine de Imprensa , Nerd Fusão
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