Resenha: Star Wars – Os Últimos Jedi (Com Spoilers) Resenha: Star Wars – Os Últimos Jedi (Com Spoilers)
38shares 38Facebook 0Twitter 0Google+ Tentarei nesta resenha não tornar a análise algo tão emocional ou pessoal. Como todos sabem, sou fã incondicional da saga... Resenha: Star Wars – Os Últimos Jedi (Com Spoilers)

Tentarei nesta resenha não tornar a análise algo tão emocional ou pessoal. Como todos sabem, sou fã incondicional da saga e também da geração oitentista que teve o privilégio de formar o caráter com as aventuras da primeira trilogia, portanto, dispensarei comentários de fanboys que se acham “os donos da franquia”.

É impossível julgar a trama ou os caminhos que a saga percorrerá daqui pra frente, uma vez que trata-se de uma continuação das decisões tomadas desde a criação de O Despertar da Força nas mãos de J. J. Abrams, filme bastante controverso e criticado pela ausência de ousadia na construção da trama, que lembrou bastante a narrativa de Uma Nova Esperança.

Star Wars Os Últimos Jedi é de fato um filme MUITO BOM. Ainda não consigo classifica-lo como superior à O Império Contra-Ataca ou a Rogue One, mas, o filme trouxe-me uma serie de sensações e sentimentos.

Rian Johnson escreveu e dirigiu um filme com 2h e 32min e neste tempo procurou traçar uma linguagem bastante aventuresca dividindo de forma inteligente vários arcos entre os personagens dando tarefas importantes para cada um deles e enfim, conectando-os no final.

O que sobrou da rebelião é liderada pela General Leia Organa, que tem como comandante o piloto Poe Dameron, enquanto Rey busca em Ach-To o mestre recluso Luke Skywalker para entender o seu propósito e os caminhos da força. Finn segue recuperando-se do seu confronto com Kylo Ren e ao acordar junta-se a missão de proteger a Aliança Rebelde. Kylo Ren segue tentando provar ao Supremo Líder Snoke que é digno de merecer o respeito e ser o novo Darth Vader, porém, Snoke através de seus jogos mentais manipula Kylo afim de fazê-lo capturar e trazer a Rey para os domínios da Nova Ordem. Kylo ainda enfrenta dificuldades de aceitação do General Hux, que continua sendo um obstáculo para alcançar seu lugar na Nova Ordem.

Enquanto temos a inclusão de novos personagens como DJ (Del Toro, que é uma espécie de Lando Calrissian), a jovem Rose e a Vice Almirante Holdo (ambas ótimas inclusões a saga), temos personagens deixados de lado ou quase ignorados, o que é o caso de Chewbacca, C3PO, R2D2 e Maz Kanata, estes praticamente participando como “cameos” ou com pouca relevância para a trama.

Luke tornou-se um eremita, vivendo em total isolamento na ilha após seu fracasso com Ben Solo (Kylo Ren). Rey insiste em ser treinada e contar com o apoio de Skywalker, mas só consegue algo após R2D2 reproduzir a mensagem do holograma enviado por Leia pedindo ajuda a Obi-Wan Kennobi em Uma Nova Esperança. Luke teme o que Rey pode se tornar, mas decide apenas treiná-la sem ir com ela rumo a batalha contra a Nova Ordem.

Após Rey partir temos uma das principais mensagens do filme, temos a emocionante participação de Yoda, desta vez de forma incrivelmente realista, quase idêntico ao animatronic visto em O Império Contra-Ataca. A mensagem de Yoda para Luke é que falhar é fundamental para o aprendizado, e que Luke precisava superar a sua falha e voltar a acreditar.

Johnson constrói um quebra-cabeças narrativo conduzindo a perseguição da Nova Ordem contra os rebeldes, enquanto Snoke projeta uma conexão mental entre Kylo e Rey. É neste momento que entendemos o que aconteceu no passado entre Luke e Ben Solo e porque o templo Jedi foi destruído. Após perceber que Ben Solo seria muito poderoso e poderia sucumbir a Snoke, Luke em um ato de desespero aparece com o Sabre de Luz enquanto Bem Solo dormia. Assustado Ben ataca Luke e passa a seguir Snoke, porém, não temos a participação dos Cavaleiros de Ren na trama, onde no filme anterior eles e Kylo destruíam o templo Jedi como vimos na visão da Rey em O Despertar da Força.

Leia mostra que é usuária da Força, em uma cena onde sua nave é destruída Leia fica à deriva no espaço, retoma a consciência e volta sobrevoando até a outra nave em uma cena memorável.

As batalhas espaciais estão muito bem feitas e detalhadas, destaque para as cenas com Poe Dameron e BB-8 que conseguem trazer momentos de tensão e boas risadas. Johnson usa muitos momentos engraçados no estilo “Marvel”, seja com seus Porgs ou com as peripécias de BB-8.

Snoke está presente, mas, não é tão ameaçador como deveria ser, sua origem não é mencionada e seu fim é patético nas mãos de Kylo Ren, que passa a ser o líder máximo da Nova Ordem. Snoke serviu como um elo de ligação entre Rey e Kylo Ren, nada além disso.

Adam Driver interpreta um Kylo Ren bastante raivoso, em momentos bastante indeciso e em outros, bastante convicto, o que torna o personagem muito interessante, pois ele é absolutamente imprevisível, enquanto Rey, após os treinamentos com Luke ainda segue com suas incertezas, principalmente sobre a sua origem e seu propósito. Sobre a sua origem, Kylo Ren conta que seus pais são apenas sucateiros que a abandonaram. Após matar Snoke, Kylo Ren tenta seduzir Rey a deixar a todos sucumbirem para juntos governarem a galáxia.

                Após o iminente confronto no planeta Crait (aquele coberto de sal) que irá acabar com os rebeldes remanescentes, temos uma cena emocionante com Finn, que decide sacrificar-se para evitar que um super canhão destrua a última fortaleza rebelde. Finn é salvo por Rose, e inicia-se um romance entre os personagens.

                No ato final, após o emocionante encontro de Luke e Leia, temos o confronto entre Luke e Kylo Ren, mas percebe-se que Luke aparece mais jovem, trata-se de um novo poder Jedi onde Luke está na verdade meditando em Ach-To e projeta a sua imagem até o planeta onde está acontecendo a batalha. Nesta cena vemos de fato o quão poderoso Luke se tornou. Após um interminável fuzilamento por inúmeros novos AT-ST, Luke aparece sem nenhum arranhão e ainda faz o gesto de limpar o ombro de forma sarcástica, o que faz Kylo Ren partir para a luta sozinho contra Skywalker. Enfim temos Luke Skywalker lutando novamente. A cena apesar de curta é espetacular e causa arrepios!

                A luta entre Luke e Kylo Ren serviu apenas como distração para os rebeldes escaparem, após perceber que todos conseguiram ingressar na Millenium Falcon, Luke para de lutar contra Kylo Ren e desaparece com a frase “até um dia, garoto”. Neste momento Luke aparece em pose de meditação bastante cansado, e neste momento temos A CENA MAIS EMOCIONANTE DE TODA A SAGA, o momento que Luke Skywalker contemplando o pôr do sol com um semblante de paz passa a se tornar um fantasma da força. A cena é magnífica, combinada com tema da força composta por John Williams, faz arrancar lágrimas.

                Confesso que não foi desta forma que eu gostaria de me despedir do meu velho amigo Luke, mas, compreendo as necessidades da indústria em continuar a saga e trilhar novos horizontes. Gostaria de ver mais o Luke, gostaria de ter visto adaptações das inúmeras maravilhosas obras do Universo Expandido, agora “Legends”. Nem o ator Mark Hamill concordou com o que foi feito com o personagem, mas executou com maestria a visão do diretor, teremos que apoiar e respeitar.

                Voltando ao que eu disse no início, Star Wars Os Últimos Jedi é um filme MUITO BOM, leva a franquia para muitas direções, ainda há muitas dúvidas sobre o que farão após a perda de Carrie Fisher, pois Leia tornou-se fundamental para os caminhos da rebelião, mas, o fato é que o caminho está aberto para a nova trilogia já anunciada pela Disney e que estará nas mãos de Rian Johnson. Ao final do filme temos uma referência a nova geração, a um novo sensitivo da força e uma homenagem a Carrie Fisher nos créditos finais.

                Minha nota é 8/10.

                Ao meu amigo Luke, eu digo: “Até um dia, garoto…”

André Pacheco

Fundador

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