Home / NOTÍCIAS / FILMES / RESENHA – X-MEN: FÊNIX NEGRA

RESENHA – X-MEN: FÊNIX NEGRA

Há quem diga que a Era de Ouro dos super-herois nos cinemas teve início com a trilogia do Homem-Aranha do Sam Reimi, a partir de 2002. Eu discordo: quem começou essa revolução foi o filme dos X-Men, no ano 2000. Mais: foi o primeiro filme decente de uma equipe de super-herois, depois do desastre que foi “O Quarteto Fantástico”, em 1994. Com “X-Men : Fênix Negra”, a saga do grupo de mutantes teve fim um tanto melancólico, mas não de todo ruim.

“X-Men: Fênix Negra” faz um passeio pela história de vida de Jean Grey. Os primeiros trinta minutos do filme são bastante promissores, mostrando a infância de Jean, o acidente que vitimou seus pais (e que teria sido causado por ela), e também o primeiro contato com o Professor Xavier. Também temos algo raro: os X-Men, de fato, trabalhando como equipe, usando seus poderes. Por exemplo, poucas vezes vimos nos filmes a Tempestade demonstrando a força que tem, ou o Noturno sendo badass e fazendo algo que não seja pura e simplesmente transportar as pessoas de lá pra cá, como um uber teletransportador. Também fomos apresentados a um Charles Xavier vaidoso e questionado, e, por esse ângulo, percebemos que às vezes ele era um asshole, e que talvez o Magneto tivesse razão (ora, vejam só).

Bem, como é sabido por quem conhece a saga dos quadrinhos, ao tentar salvar os astronautas que estão em um foguete com problemas no espaço, Jean é atingida por uma espécie de explosão solar, ficando mais poderosa do que nunca. Entretanto, como o Professor Xavier disse a ela quando criança, esse “presente” pode ser usado para o bem e para o mal. Como esse fato desbloqueia lembranças e sentimentos ruins em Jean, ela acaba pendendo para a maldade. É uma trama de fundo psicológico bastante interessante e que poderia ter sido brilhante, se bem explorada (o que não aconteceu, infelizmente).

Tecnicamente, o filme tem pontos excelentes que devem ser ressaltados, a começar pela trilha sonora épica de Hans Zimmer. Também vale enaltecer as atuações de todos os atores que interpretam os mutantes, especialmente a relação entre Xavier e Magneto, com certeza James McAvoy e Michael Fassbender deixarão saudades. Sophie Turner está maravilhosa como Jean Grey, e lamento que não possamos vê-la novamente no papel, caso a Disney resolva fazer um reboot da franquia. Tye Sheridan é o melhor Ciclope entre filmes e desenhos animados (pois os anteriores sempre foram muito chatos), e também merecia ser melhor aproveitado.

Como eu disse antes, as cenas iniciais são bonitas, com a fotografia agradável e bem dirigidas, mas depois disso se perde. Quanto ao CGI, gosto nas cenas da Jean Grey, não gosto em outras, sendo bastante irregular. As cenas de ação são decentes, principalmente quando os mutantes estão agindo em equipe, o problema mesmo foi o roteiro, o “recheio”, os diálogos, a construção de relações que ainda não haviam sido bem estabelecidas nos filmes anteriores.

A história já havia sido mais ou menos contada em “X-Men 3: O Confronto Final”, o pior filme da trilogia “clássica” dos X-Men. Sendo um dos arcos mais importantes da Marvel, era natural a sua adaptação para as telonas. Porém, em razão de sua complexidade, a trama infelizmente não recebeu o tratamento que merecia. Algumas coisas parecem ter sido “jogadas”, e por serem mal explicadas, acabam por não despertar qualquer empatia no espectador. A personagem da Jessica Chastain, por exemplo: não fica claro se ela era de fato um alienígena, ou se o corpo dela foi tomado, nem quais eram exatamente as motivações desses aliens. Enfim, como eu disse, uma trama bastante complicada para ser abordada em menos de duas horas. Lembrou-me “Vingadores – Era de Ultron”, que também pareceu que ficou apressado. Não é o pior filme da franquia, mas, pela sua importância, merecia uma obra melhor, para encerrar com chave de ouro esse ciclo dos X-Men na Fox. Uma pena.

Nota: 7,0

Roberta Rodrigues AutorParticipant
Cabine de Imprensa , Nerd Fusão
Aqui é Nerd Fusão na veia!
follow me

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*

x

Check Also

RESENHA – MIB: HOMENS DE PRETO – INTERNACIONAL

A expectativa para “MIB: Homens de Preto – Internacional” era grande, pois ...